O seu Nilo.
Hoje tive um sentimento meio nostálgico ao ver a ZH no caderno de automóveis. Depois da morte do Aldo Besson, semana passada, hoje o Gilberto Leal escreveu um texto, ou uma homenagem a um dos idealizadores do Miura, o Besson. Eis que, tem uma referência ao Nilo, o meu Laschuk. O designer do Miura. Quem me conhece (de tempos) sabe dessa história muito bem. E não vou contar ela aqui, até porque, quem sabe contar ela diretinho é o seu Nilo.
Ter um designer em casa, e dos bons, não é pra qualquer um. E eu, e posso falar pelo Alisson também, nos sentimos no mínimo previlagiados por ter um ser que aos 64 anos, tem a cabeça rodando a milhão. Daqueles que dá um baile, em qualquer designer. Daqueles que bota a mão na massa, e por isso tem a experiência que tem. Posso dizer que o que sou hoje, devo muito a ele: planejar, projetar, pensar, e não ficar só na ideia, mas colocar ela em prática. Fazer por fazer? Jamais. Hoje, quando liguei pra ele, pra falar sobre a reportagem ele me disse: que bacana, né? quando se faz coisas legais, se é lembrado.
Eis aí, o seu Nilo, modelando a maquete do primeiro Miura. Um beijo papa.

Vitrais vitais

Coleção ou projeto? Projeto! Isso! É assim que encaro a maior parte das coisas da minha vida, como um projeto. E quanto às minhas estampas não poderia ser diferente, e existem motivos pra isso. Talvez por não vê-las de forma comercial. Tento, de certa forma fugir do comercial, e a cada coleção de estampas, OU a cada novo projeto, fazer um laboratório de técnicas, e desenhos, misturando várias linguagens, como alguns amigos próximos diriam.
Neste Projeto Vitrais, não poderia ser diferente. Vitrais sempre instigaram, aliás, tudo que tem certa transparência me fascina. Mas, como poderia aplicar este tema a uma coleção de estampas, sem que o mesmo parecesse óbvio? Foi assim, que através de várias reflexões, pude passar esse referencial para a técnica de estamparia. Como assim? Simples. Assim como os vitrais passam por um processo de preparação, para depois receber a cor, o mesmo aconteceu com as estampas deste projeto. Num primeiro momento, foram feitos os desenhos em vetor, em illustrator. Depois de impressos em papel sublimático, e com tinta de impressão sublimática, o papel foi pintado de forma manual no Nia Projektua (atelier que sediou todo o processo de pintura, modelagem e confecção das peças). Depois de todo o processo de pintura, é que o tecido recebeu os corantes do papel impresso e pintado. E o resultado deste processo você vê materializado em fotos, e o processo de pintura, em vídeo.




Agradecimentos de coração: Jefferson Botega, Julia Picoli, Maíra Franz, Beto Fabrin, Nico Demos, Jéssica Maluf e Bruna Aurélio.
Onde compro?
Nós (eu e a Camila Konradt) não temos nenhuma peça, nem pra vendermos, nem pra nós. É. E eu tava torcendo pra sobrar ao menos um vestido linha A com estampas de beija-flor. Mas… os três únicos feitos foram vendidos no mesmo dia, na feira da Pandorga. Isso! Lembrei do que eu ia falar. PANDORGA. A Pandorga, foi nosso primeiro ponto de venda da coleção Neo Art Nouvel em Porto Alegre. Adoramos! E não vemos motivo para não adorar: desde o layout da loja, a música, a atenção da equipe, os designers que também participam da ação e a proposta da loja coletiva, que é “abrigar” novos designers: pessoas criativas e que muitas vezes não tem a percepção de venda, e que com a Pandorga tem a chance de vender as peças com puro profissionalismo…
Tive a experiência de dia desses, na segunda feira Pandorga, receber amigos queridos, e atendê-los de forma super especial. Foi ótimo. Tanto para dar uma atenção especial a quem foi nos prestigiar como para ter um feedback sobre as peças.

Endereço Pandorga: Miguel Tostes, 897.

Bem, do Rio Branco pra Tristeza. A gente continua com a CONTEXTURA. Formadas por mãe e filha, Evelise e Anne Anicet, a contextura tem uma proposta de trabalhos criativos que surgem a partir do conceito upcycling e slow fashion. O conceito upcycling de Braungart, transforma resíduos em produtos com valor agregado / o slowfashion tem a premissa de um ritmo de trabalho saudável. Só coisas do bem! Além da marca Contextura, tem vários parceiro muito queridos participando, entre eles o Du Pasquier que tem um trabalho reconhecido, sensível, delicado, lindo de morrer, e a Sampler do querido Daniel Escobar e Aderlise Martins, com um trabalho maravilhoso, super contemporâneo, adorei de paixão. Aliás adoro os lançamentos da contextura pra ter o prazer de ter contato com essas pessoas geniais que fazem o design de superfície gaúcho.

Colar gola com fios de seda por Anne e Evelise.

Pra não se perder: Rua Dr. Armando Barbedo, 1091 , Tristeza
Próxima quinta, lá na Contextura vai ter um evento muito bacana, com duas palestras, uma da Ana Norogrando, sobre artes e texturas e também uma palestra sobre moda e pesquisa de tendências com a Juliana Zanettini, do UseFashion.
E por fim, desde a última segunda, estamos em outro endereço, e este agora virtual. O Estilo Exclusivo. O trabalho dessa equipe, de cinco meninas fantásticas é minucioso! As fotos ficaram lindas e as peças (todas) tem medidas. Ou seja, não tem erro. Junto com as medidas, uma pequena consultoria de moda, sobre as ocasiões de uso, combinações… Ah, e o mais importante, o trabalho principal da nossa marca, que são as estampas, podem ser percebidas de pertinho. Ah! O Estilo Exclusivo envia as peças pra todo o país! Aqui não tem como se perder né?

Resort 2012 - p. 1
Mês de Junho chegam os desfiles Resort do velho mundo… e observando claro, as estampas, o que vemos? fotos… muitas fotos. Mas sem muita mistura. É a foto aplicada e BASTA! Claro… tem manipulação de imagem, um efeito multiply, dando uma coloração na imagem. Abaixo algumas imagens Moschino Cheap and Chic, que usou a imagem da Fontana di Trevi romana (imagem 2), de referência barroca, pra estampar algumas peças.



fonte: Style.com
Ainda bem que estamos bem ligadas
Junto algumas peças da coleção Neo Art Nouvel, com fotos de cortinas do quarto de napoleão + fotos de imagens de ninfas de Praga + asas de beija-flor em vetor. A segunda foto, tem: arabescos barrocos, localizados na lateral.


*Peças a venda na Pandorga!
Fase nova, coleção nova.
Da coleção passada, considero tudo um experimento. Modelagens experimentais, estampas experimentais também. Fazia tempo que não produzia de forma experimental, e curti. Precisava colocar minha energia criativa pra fora. E esses experimentos acabaram impulsionando novos projetos: Uma coleção maior, que apesar de dar mais trabalho dá maior liberdade de criação, não nos limita tanto. E também tenho uma parceira nova de trabalho, que é minha colega de UniRitter também: Camila Konradt Pereira, que tem um trabalho detalhista e incansável em modelagem e desenvolvimento. Um passo maior que estamos dando eu e a Camila é na criação de um atelier, que quando estivermos com ele pronto pra receber visitas, eu posto algo bem bacana.
Agora sobre a coleção: Neo art nouvel. Por que? Um novo olhar sobre a arte nova, o art nouveau. Tenho uma relação de paixão por esse tema, e volta e meia retorno a ele no desenvolvimento de estampas. Nessa coleção, porém predomina a mistura de várias linguagens: manual, vetor, fotografia, degradês, transparências. Todas as estampas são exclusivas, tanto as estampas corridas como as localizadas. Os tecidos: fibra de garrafa PET, algodão, poliéster de alta performance (PET DRY). Estampados com sublimação, um processo que tem pouco impacto ecológico.
As fotos foram feitas pelo Jeffe Botega, no centro histórico de Porto Alegre. Aliás a primeira foto foi feita na casa escolhida para sediar o atelier. A produção foi feita por Pepe Pessoa, e a modelo, a publicitária Maíra Franz, que não foi escolhida só pela beleza evidente mas pela atitude e estilo de vida.
Modelagem + estamparia = Estamparia com modelagem localizada
A coleção que lancei no Contextura semana passada, tem um esquema bem especial… Além dos lenços e estampas localizadas em lugares localizados, foi possível criar uma estamparia bem diferente… Para cada vestido que tem uma modelagem com pregas, pences, dobraduras, fiz uma estampa diferente. E para cada vestido, três tamanhos diferentes que tiveram, alterações é claro na estamparia também. Além de colocar as marcações de pregas e pences na própria estampa, foi possível (devido ao processo de modelagem inicial ter sido feito em moulage) colocar a estamparia em lugares que “combinassem” mais com o caimento, recortes dos vestidos.
Vou colocar abaixo as etapas do processo de criação e depois a peça já toda estampada. O que se vê nas imagens:
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A peça sendo feita em moulage, com marcações de pences e de pregas;
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A peça sendo vetorizada e a estampa sendo colocada de forma localizada;
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A peça final, já costurada e vestida pela Camila.

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(2)

(3)
Mais: encaixe de flores, ao mesmo tempo que fiz o encaixe de pregas, essa feita em modelagem plana:
1. Modelagem da peça em illustrator;
2. Peça já confeccionada.

(1)

(2)
Fotos: Jefferson Botega
Pra que serve uma imagem?
É certo que em moda usamos a imagem para registrar um conceito seja de uma idéia, ou de uma coleção. No meu caso, essa vez foi diferente, usei sim para mostrar o conceito, mas mais do que isso, usei a imagem para criar o conceito… usando uma lente macro, pude fazer estampas ampliando flores de crochê, chita, dando um ar contemporâneo a estas. Vou postar aqui as palavras do Carlinhos Santos na Coluna da 3 por 4 de hoje:
” Partindo de fotos macros, que exploravam imagens de chitas, crochês, rendas e laços, a estilista e designer Tatiana Laschuk criou uma coleção de lenços. O resultado é um caleidoscópio que urde formas e tramas, ilustrações e recomposições imagéticas que redimensionam práticas artesanais no contexto da indústria têxtil. O trabalho inclui a exploração da técnica da moulage, produzindo estamparia a metro com modelagem e efeitos localizados. A coleção foi lançada sábado, no showroom da Contextura, em Porto Alegre. Tatiana é formada pelo curso de Moda da UCS, com mestrado em têxteis realizado em Portugal. Na foto, a modelo Camile Fruet. Fotos Jefferson Botega. ”




Aplausos
Três razões me deixaram muito feliz sábado. Uma delas é o desfile do Nei Aguilar no Donna. Outra, o resultado do Next de sábado: dois dos quatro vencedores são do UniRitter. E por último, a consequência dos dois primeiros motivos: a felicidade e o orgulho do alunos da Ritter com os colegas. Como é bom a gente ouvir falar bem do lugar onde trabalha, ouvir falar bem dos alunos, e ver um trabalho bem feito, elaborado, modelado, e projetado. Falo em projeto sim, nossa faculdade é forte em design, em projeto, e isso se reflete nos looks desfilados no Donna, e em qualquer outro concurso.
O desfile do Nei foi aplaudido de pé por todos, deixou uma galera emocionada. Realmente tocou quem trabalhou junto, de forma incansável, e mesmo quem não trabalhou mas acompanhou com olhares atentos e silenciosos no atelier da Ritter. Tive a sorte de trabalhar com ele, orientando na modelagem, (talvez na função mais delicada para se trabalhar com um estilista). Mas no fim das contas,…deu tudo certo, e o resultado pudemos ver na passarela. Tanto com a cartela de cores harmoniosa, como as formas inquietantes, a escolha dos tecidos, os sapatos então… ah… os sapatos, todos projetados pelo mesmo. Maravilhosos.


Quanto ao resultado do Next… Ano que vem dois alunos desfilarão: Gustavo Duarte e Bruna Aurélio. Dois trabalhos impecáveis em originalidade e execução. Que vão ter muito trabalho pela frente ainda… E torcemos para surpreender mais uma vez. Abaixo fotos do trabalho do Gustavo, modelos e croquis, e da Bruna somente os croquis… uma pena não ter as fotos dos looks. Ah! E uma foto dos looks da Nina, que desfilou no Next também e que o conceito ficou muito bacana.

Croquis Gustavo Duarte


Gustavo e as modelos / foto: Franco Rodrigues

Bruna Aurélio / Foto: Gabriela Loeblein

Nina Sodré / Foto: Gui Attoline
…MULTIFuncional…
Divido hoje com vocês um projeto que se iniciou a partir de uma necessidade. O que é muito comum (e deveria ser mais ainda) quando falamos no desenvolvimento de design de produto. Sempre curti desenvolver roupas funcionais, (o baby carrier que eu e a Julia Picoli desenvolvemos é um exemplo deste tipo de projeto, em que enxergamos o problema de transporte de bebês em viagens, e tentamos encontrar uma solução e encontramos [com sucesso] através de um vestido que os transporta).
O meu último projeto funcional, na verdade multifuncional é um colete para fotógrafos: Meu companheiro Jeff sempre me pediu um colete multifuncional… que coubesse corpo da câmera, lentes (no mínimo duas), bateria, flash, pilhas, cabos… todos os apetrechos básicos que um fotógrafo profissional precisa.
Daí em diante comecei a pesquisar o que existia no mercado e decidi criar algo diferenciado do que existia. O contrário não valeria a pena. A situação que impusemos ao projeto era o desenvolvimento de um colete que considerasse ergonomia, conforto termofisiológico e é claro sensorial, sem deixar de lado a resistência do material.
Começando pela ergonomia: as lentes e o corpo da câmera pesam (e estamos falando aqui em quilos). Fizemos a distribuição do peso de forma que os mesmos fossem colocados no colete de forma harmônica, e não pesassem mais de um lado que de outro. Além da boa distribuição, foram colocados reforços nos ombros, com enchimento, pra que o peso fosse amenizado, e os ombros não ficassem sobrecarregados. Fora o peso, foi pensado também na forma como os bolsos são abertos, e os mesmos foram desenhados de forma diagonal, em sentidos opostos, facilitando a sua abertura pelas mãos. O pescoço tem proteção, uma gola com enchimento, que evita o contato direto da tira da câmera (e seu peso) com o pescoço.
O conforto termofisiológico e sensorial, que está diretamente relacionados com o equilíbrio térmico e a conforto tátil do fotógrafo e, da câmera:
Para o fotógrafo: na parte externa escolhemos um tecido misto, de algodão com poliéster. A mistura entre estas fibras, proporciona ao profissional um tecido que não amassa com tanta facilidade, aumenta a velocidade da secagem, possui maior flexibilidade, e resistência. O forro, tecido 100% algodão, proporciona melhor permeabilidade ao vapor d´água, ou seja absorve maior quantidade de suor e faz com que o corpo não enxarque, melhorando o conforto do usuário. Além da escolha dos tecidos, a parte traseira do colete possui fendas verticais, que facilitam a ventilação em situações de calor extremo.
Quanto ao corpo da câmera, foi colocado um forro isolante térmico, que tem a função de isolar a câmera do frio e do calor extremos, protegendo partes sensíveis da câmera, como lente, memória,…
A questão da multifuncionalidade foi abordada nos bolsos. Cada bolso possui no mínimo três compartimentos (sem que isso aumente o volume dos bolsos), cada um com uma função específica. Além disso, as costas do colete possui zíperes que possibilitam a acoplagem de monopés.
Projeto feito, modelagem testada, fizemos a primeira peça piloto, e a partir deste colete muitas melhorias, muitos pitacos que agregaram muito valor. O último e esperamos definitivo (e se não for definitivo também não tem problema!!!) ficou pronto na semana passada, logo depois que o Jefferson soube que ia fazer parte de um projeto multimidia a trabalho, e que encaixou direitinho na idéia de testar o colete. Parece brincadeira, mas nesse colete cabe tudo que pensamos em colocar no início, (que aparece na primeira foto, que são esboços e necessidades do projeto). Abaixo duas outras fotos, uma com o colete frontal, e outra mostrando justamente a parte de teste, neste caso de resistência!
Pretendemos comercializar estes coletes depois… inclusive desenvolver um feminino, que já está com o projeto quase pronto. Falta só o pitaco das fotógrafas.
Segue o blog pra acompanhar a viagem: www.zerohora.com/caminhopiratini



O que poderiam ter Mcqueen e Avatar em comum?
Aula de projeto 1, análises de coleções. Eis que a Antonia (Adami) escolhe a coleção do Mcqueen pra analisar. (eba!) nunca é demais ver a coleção Spring 2010 dele (o que me fez lembrar que eu não postei nem um lamento sobre a sua morte no blog)… e no decorrer da análise de tema e mix de produtos ela (Antonia) lança a pergunta: ele não se inspirou no Avatar? Pela data de lançamento de ambos seria impossível, certo. Mas fica sim a evidência de temas muito próximos.
E justamente, nessa onda Avatar, não tem como desligar filme e coleção, até porque os dois tratam justamente desta relação imagética e filosófica entre homem e natureza… Um tema que explora a relação do homem com a terra, com uma visão não amigável. Mcqueen passou isso para a roupa através do trabalho de estamparia digital (e pelo tom dramático do desfile), mostrando a imagem de uma mulher mutante, depois de sobreviver aos desastres naturais, causados por quem? pelo homem. Pra quem viu avatar, ficou muito claro o ponto a que o homem chega para explorar o meio ambiente, que no caso de Avatar, foi preciso tentar acabar com os Na’vi, que se tornaram um obstáculo ao homem, à extração de tal precioso minério.
E filosofias à parte, imagem é sim, tudo.
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